terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Fair play institucional e a Construção da Cidadania na Convivência Democrática

Fui convidado para conversar no CREACE sobre Fair play institucional e a Construção da Cidadania na Convivência Democrática.

É com grande satisfação que convidamos a toda equipe CREAECE para participar da nossa Jornada Pedagógica, um momento formativo pensado para fortalecer o diálogo, a reflexão e o compromisso coletivo com a educação.

Sua presença é fundamental para enriquecer esse processo.




sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Quando a palavra fere: o peso do discurso na educação

Por: Atualpa Ribeiro 

Não sei se todos viram o que circulou nas redes sociais nos últimos dias, talvez nem tenha alcançado tanta repercussão fora da cidade. Mas o que mais me inquieta não é o alcance do fato — é o conteúdo dele. Uma professora, uma educadora, referiu-se a alguém dizendo que a pessoa “deve ter uma depressãozinha”.

Depressãozinha?

A pergunta não é retórica. Ela carrega espanto, indignação e tristeza.

Ao ser interpelada, a resposta veio rápida: “não seja tão literalista colega. Não professora estou sendo realista, estou sendo realista. A senhora está banalizando a situação”. Mas é justamente aí que o problema se aprofunda. O discurso não é neutro. Palavras não são inocentes, sobretudo quando partem de alguém que ocupa um lugar de autoridade simbólica, como o de um professor. Minimizar um transtorno mental por meio de um diminutivo não é literalismo ou que quer que seja — é banalização do sofrimento.

O que mais entristece é imaginar essa mesma fala sendo reproduzida em uma sala de aula. O que isso comunica a estudantes que enfrentam ansiedade, depressão, crises silenciosas? Que sua dor é pequena? Que não merece ser levada a sério? Que é exagero?

Mais grave ainda é a inversão de responsabilidade que se segue. Quando a fala causa desconforto, o problema passa a ser a “interpretação do outro”. Como se todos devessem compreender exatamente o que o emissor quis dizer, mesmo quando o que foi dito é impreciso, violento ou desrespeitoso. Não. A responsabilidade pela clareza, pelo cuidado e pelo impacto da palavra é de quem fala — não de quem ouve.

Não se trata de transformar alguém em vilão, mas de reconhecer que discursos produzem efeitos. Se há margem para má interpretação, se a fala gera dor, constrangimento ou exclusão, cabe a quem falou refletir, revisar e, sobretudo, pedir desculpas. Isso também é educação. Isso também é ética.

Em tempos em que tanto se fala sobre saúde mental, empatia e escuta, causa espanto que ainda se naturalize o desdém travestido de “opinião”. Educadores não podem se dar ao luxo da irresponsabilidade discursiva. A palavra que educa é a mesma que pode ferir — e por isso exige consciência.

Talvez o mais urgente não seja discutir quem entendeu errado, mas quem falou sem cuidado. Porque quando a palavra diminui a dor do outro, ela não esclarece — ela machuca.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Emanuel e a Raiva


Emanuel não sabe exatamente de onde vem.
Talvez um analista soubesse nomear,
talvez a infância, o corpo cansado ou o silêncio acumulado explicassem.
Ele só sabe que, às vezes, a raiva chega sem pedir licença.
Chega quente.
Chega mortal — não no gesto, mas na intenção que assusta até quem a sente.


Não é ódio dirigido, é um incêndio interno.
Uma vontade de esmagar o mundo para que o mundo pare de apertá-lo.
Emanuel percebe: não quer ferir ninguém,
mas a raiva respinga,
e quem está por perto sente o calor das chamas.


Ele odeia esse sentimento.
Odeia porque reconhece: ele também é isso.
Carrega um corpo parado demais,
um coração que precisa correr,
um pensamento que precisa suar para não explodir.

A raiva o consome por dentro,
como se fosse fome mal compreendida.
Emanuel aprende — do jeito mais difícil —
que negar não cura.
Identificar é o primeiro gesto de cuidado.

E ele já deu esse passo.
Olhou para dentro e disse: eu vejo você.
Agora vem o mais difícil:
criar estratégias para não transformar dor em ataque,
cansaço em palavra dura,
vazio em ferida alheia.

Emanuel não busca perfeição.
Busca freio.
Busca movimento.
Busca aprender a sair de si antes que a raiva saia por ele.

Talvez correr.
Talvez respirar.
Talvez silêncio.
Talvez ajuda.

Ele segue —
não como quem venceu a raiva,
mas como quem decidiu não deixá-la dirigir.

Fair play institucional e a Construção da Cidadania na Convivência Democrática

Fui convidado para conversar no CREACE sobre Fair play institucional e a Construção da Cidadania na Convivência Democrática. É com grande sa...